20 de Fevereiro

 

E se...

 

Leitura Bíblica: 2 Samuel 6.12-19

 

Tenho-lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa (Jo 15.11).

 

    ...No meio do desfile de carnaval ocorresse uma falha geral no sistema de som? Silêncio total. Dá para imaginar um desfile de carnaval em absoluto silêncio? Qual seria a reação? Primeiro um susto, depois raiva, talvez mais pela incompetência de quem deixou aquilo acontecer do que pela expectativa frustrada. Essa frustração aparece depois. Esperava-se muita alegria, e de repente sobrou só um vazio. Definitivamente, carnaval silencioso não dá. O barulho é essencial para o folião mostrar que está alegre. Ou seria o contrário?

   Deixe-me explicar: é natural alguém que experimenta uma grande alegria pular, cantar, gritar, festejar, enfim, extravasá-la ruidosamente. Isso, porém, não dura, até porque cansa. Uma felicidade contínua tende a ser mais silenciosa. Por outro lado, quando alguém não está realmente feliz, o silêncio incomoda, porque faz sentir aquele grande vazio dentro de nós. Nessa situação, muitos que não tem alegria que os faça cantar e pular, fazem o contrário: criam barulho e agito e chamam aquilo de alegria. Trocam a causa pelo efeito. No carnaval acontece muito disso; aliás, tudo indica que a festa foi criada justamente com essa finalidade. Talvez seja por isso também que favoreça toda espécie de abusos. Como a alegria não é verdadeira, a festa não satisfaz, e então se tenta aumentá-la. Mais ou menos como ocorre com o abuso de drogas.

    Se você tiver vontade de cantar, dançar, gritar, pular, esbaldar-se por aí, seja no carnaval ou fora dele, sugiro que dê uma paradinha antes e se pergunte: por quê? E se o som falhar? Posso continuar feliz e contente assim mesmo? A verdadeira alegria decorre da comunhão com Deus, e pode ás vezes até ser ruidosa, como no relato bíblico que lemos hoje, mas certamente não depende do barulho. Desejo-lhe muito alegria verdadeira, hoje e sempre, com barulho ou sem ele. – RK

 

       Verdadeira alegria não se fabrica: vem da paz  com Deus e pode ter muitas formas